O Que Acontece Com Alguns Cantores(as)?

por: Prof. Gilson Medeiros

Recentemente a revista VEJA trouxe uma entrevista com o Sr. Jayme Monjardim, diretor de minisséries e novelas de Televisão. O título da entrevista é: “Eu me sentia rejeitado”, onde ele relata o drama de ter sido desprezado por sua mãe, a cantora Maysa, que tornou-se uma estrela da música brasileira em algumas décadas passadas.

Ao ler a matéria, me veio à mente um questionamento: Por que alguns cantores tão “idolatrados”, não demonstram, em seu caráter e vida pessoal, a mesma “beleza” que é vista em suas vozes?

Os exemplos de cantores que arrastam multidões, mas que têm uma história de vida cheia de deslizes e fases “negras” é imenso. Apenas para lembrar alguns bem conhecidos:

– Amy Winehouse
– Michel Jackson
– Boy George
– Belo, pagodeiro

Sem falar de tantos e tantos outros que estão sempre às voltas com consumo de drogas, relacionamentos afetivos problemáticos, homossexualismo, satanismo, etc.

Parece que no chamado “meio artístico”, para alguém se tornar uma “celebridade”, não importa muito o caráter que ele ou ela tenha. Os “fãs”, muitas vezes histéricos, só querem saber da “presença de palco”, ou seja, da “imagem” que seu ídolo passa durante os shows.

E os Cantores “Cristãos”?

Um fato curioso, e um pouco semelhante, parece também se dar com alguns (graças a Deus, são a minoria) dos cantores professamente “evangélicos”. Recentemente o Brasil ficou sabendo da história de um famoso cantor “gospel” que está sendo acusado de empurrar a ex-mulher e o filho da janela de um apartamento, e depois sair tranquilamente como se nada tivesse acontecido. A mulher morreu, e o filho ficará traumatizado por muito tempo devido ao que viu, ouviu e sofreu. Onde estava a “paz” que o tal cantor citou tantas vezes em suas músicas???!!!

Me entristece ver que também entre alguns (mais uma vez agradeço a Deus por eles serem a minoria) cantores Adventistas que se encastelaram em seus pedestais de vaidade e presunção, e são cristãos apenas no momento em que estão “ministrando o louvor” (jargão muito usado hoje em dia…).

Cantam canções lindíssimas, com letras maravilhosas… Mas suas vidas não passam disso: teoria.

Você já deve ter observado alguns cantores, conjuntos, corais, etc., que abandonam o culto após participarem com seu “louvor”. Tanto o período que antecede o seu momento de cantar, quanto os momentos seguintes, são passados fora da igreja, em conversas paralelas e infrutíferas. Para tais pessoas, a religião se resume a cantar… e nada mais.

Fico triste em ver que alguns jovens estão sendo influenciados fortemente por esta “tendência” de se valorizar mais o “dom” (dom?) do que a pessoa que o exerce. Lembro-me que no tempo do Antigo Testamento, o louvor era tão importante na adoração ao Senhor que apenas sacerdotes tinham permissão para cantarem no Templo. Eram pessoas que já nasciam com a missão de adorarem a Deus, e o faziam com todo o coração.

Hoje em dia temos visto cada vez mais cantores abusando das notas agudas, ou procurando “segurar as notas” para demonstrarem o quanto são bons de fôlego. Também vemos muitos, especialmente rapazes, dando verdadeiras “voltinhas” na voz, como dizia Ellen White, subindo e descendo a nota para criar um “efeito legal” na música.

Isso é válido? Penso que sim… mas não na música que se propõe a adorar ao Deus Eterno.

Neste tipo de música, deve existir uma harmonia absoluta na execução do louvor; harmonia esta que se reflete não apenas na música, em si, mas também na vida daquele que a está “ministrando”. Os músicos de Sião deveriam ser pessoas consagradas, dedicadas ao serviço de Deus… verdadeiros exemplos de comunhão e coerência na vida cristã.

De que adianta cantar uma música que diz: “Renova-me, Senhor Jesus… põe em mim Teu coração”, se aquele/a que está cantando tal composição não dá a mínima importância em colocar em prática o que está sendo dito?!

Tem um amigo meu que diz que há um hino no Hinário Adventista que deveria ser rotulado de o “hino dos mentirosos” (rsrs). É o nº 295… confira depois!

Caros cantores e cantoras de nossas queridas igrejas, não deixem que os exemplos incoerentes demonstrados na vida dos músicos seculares sejam vistos na vida dos que professam usar suas vozes para adorarem ao Autor da Vida.

Sua voz pode ser linda, mas se seu coração não estiver santificado pelo Espírito, será que Deus aceitará seu “louvor”? Pense nisso…

“Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13:15).


Fonte: Publicado no Jornal Órion de Fevereiro 2009 – Ano V – Nº 43