O que Abraão Pode nos Ensinar Sobre Louvor

por: Jorge Luis Jesuino

Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. Gênesis 12:1 a 3.

Normalmente vemos estudos e matérias das promessas feitas por Deus a Abraão, talvez você esteja pensando neste exato momento: “O que tem de novo, eu já sabia disso“.

Não é minha intenção esgotar todas as possibilidades de aplicações destes versos, e que a vida de Abraão pode nos ensinar. Quero somente compartilhar com vocês (que se dão o trabalho de ler minhas matérias) o que tenho pesado há muito tempo em meus pensamentos.

Abraão foi o primeiro ministro de louvor e adoração da história, em que a bíblia se dá o trabalho de descrever.

Nas poucas páginas que a bíblia reserva para contar-nos a história de Abraão, o vemos adorando em um altar mais de 12 vezes (Gênesis 12:7; 12:8; 13:4; 13:18; 22:9; outros). Sua vida de adoração nos mostra o caminho para compreendermos como nós “Líderes Musicais” podemos avançar na vontade de Deus para nossos ministérios.

“No caso de Abraão, o que se destaca é isso: quer tropeçando, tendo êxito, vacilando ou fracassando, a característica discernível do seu caráter é que ele viveu diante do altar de Deus” Jack Hayford (paráfrase minha).

Tenho que confessar algo, sempre fico durante muitas horas lendo e relendo textos do Velho Testamento. Exceto o livro de João e Lucas, quase não consigo ler todo o resto do Novo testamento. As cartas de Paulo, por exemplo, eu mal conseguia lê-las. Sempre me empolgo quando leio sobre as guerras, lutas sangrentas, morte, mares e rios se abrindo, reis, juizes, etc, etc, etc. Uau! Fico muito empolgado. Acho lindo, poder ver Deus agir e amar neste caos que era o AT. Sempre achava os homens do NT muito certinhos e corretinhos (até estudar mais a vida de Pedro, Paulo, Mateus, etc), afinal quando era criança sempre torcia pelos bandidos nos filmes de bang-bang, que pena que eles sempre morriam no final.

Identifico-me mais com os homens que têm as mesmas fraquezas que eu, lutam com as mesmas emoções que as minhas, e às vezes também perdem a luta moral que travamos todos os dias de nossas vidas.

Abraão é um dos maiores nomes da nossa história, creio que todos os nossos músicos e líderes musicais deveriam estudar um pouco da vida deste homem.

“Abraão é um paradoxo, ele é honrado na galeria dos fiéis, mas mentiu sobre o relacionamento com sua esposa, entregando virtualmente o corpo dela aos caprichos de um rei pagão. Ele é chamado de pai da fé, mas no esforço para gerar um filho prometido, foi pai de uma criança problema. Como pode alguém tão humano, falível e temeroso ganhar uma reputação de FÉ? Jack Hayford.

Abrão foi sacerdote, ministro e adorador muito antes destas palavras fazerem algum significado. Sempre cria que Arão tinha sido o primeiro ministro de Louvor & Adoração, afinal ele foi o escolhido para ser sacerdote na era levítica que Deus instituiu em Israel.

Mas Abrão foi o primeiro a ter um relacionamento íntimo com Deus, seu relacionamento era de inteira confiança e entrega. Tinha realmente todas as qualidades necessárias para ser chamado de ADORADOR, só isso já faz dele um dos primeiros ministros de Louvor & Adoração da história.

Vamos falar de algumas das qualidades do relacionamento dele com Deus, a ponto de merecer o titulo de “Pai da Fé”. Abraão tinha um relacionamento ÍNTIMO com Deus.

Como é bom, Senhor, compreender que pensas em mim constantemente! Não posso sequer contar quantas vezes por dia os teus pensamentos se voltam para mim. Sl 139:17,18.

Um relacionamento de Intimidade não se consegue da noite para o dia, tem que ser trabalhado e moldado arduamente, com muito esforço e suor, ele esta totalmente ligado ao amor. Se você não ama, não vai conseguir ter um relacionamento saudável com ninguém.

“Descobri que o amor está muito mais ligado ao trabalho que à diversão. Tem mais a ver com a condição de servo, do que com a de herói. Quando me proponho a amar, geralmente acabo dando, em lugar de receber. Amar, inevitavelmente, nos custa algo, normalmente os três bens mais valiosos que possuo: meu tempo, meu vigor e meu dinheiro, e dificilmente partilho esses recursos com outros, pois o tenho em quantidade limitada“. Bill Hybels (ênfase minha).

Nossos Ministérios Musicais estão desesperadamente necessitados deste tipo de relacionamento e disposição. Normalmente vemos em nossos grupos de música, membros que mal sabem [onde os outros membros moram], sem mencionar se [estão] precisando de alguma coisa. Normalmente nossos “Líderes Musicais” não estão dispostos a saber das necessidades dos membros de seu grupo, dizem que têm muitos problemas a resolver, então “CADA UM COM SEUS PROBLEMAS”, é o que pregam com suas ações.

Temos o costume de nos fechar em nossos mundos, e impedir qualquer um de entrar. O problema é que não existem muitas pessoas querendo entrar para desenvolver um relacionamento Íntimo conosco, então nos damos o direito de também não desenvolver este tipo de relacionamento com os outros.

Um relacionamento Íntimo é sempre radical, ou você tem intimidade com alguém ou não, por mais que se tente, nunca vai conseguir ter uma meia intimidade ou um pouco de intimidade, isto é ilusão. Muitas vezes iludimos as pessoas a nossa volta, fazendo que pensem que somos íntimos e amigos. O problema é que com Deus não da pra enganar, ou se é Íntimo ou não.

Pena que a maioria dos “Lideres Musicais” de hoje têm uma relação com seus músicos de total autoridade burocrática, uma autoridade baseada em coação e medo. Parece terrível, mais é exatamente assim que muitos de nossos líderes de música fazem com seus sacerdotes. A autoridade sem um relacionamento Íntimo, sempre gera coação e medo, sentimentos que nunca podem fazer parte de um “Ministério de Louvor & Adoração”.

Mas aprendemos na vida de Abraão que as coisas não são bem assim, no versículo 1 do capítulo 12, lemos Deus falando com Abraão: “Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei“. Note que foi Deus quem falou com Abraão (aqui ainda Abrão), podemos entender que Deus tinha uma “Linha aberta” para com Abraão. Deus aqui deu uma ordem, então os defensores da autoridade burocrática podem se defender, mas note que a ordem de Deus vem junto com a explicação: “Eu farei de ti uma grande nação”.

Nossos líderes hoje em dia querem apenas dar as ordens, são poucos os líderes musicais que se preocupam em explicar suas ações ou métodos, eles normalmente estão mais preocupados se seus liderados vão ou não lhes obedecer.

Quero deixar claro que não sou contra a obediência, temos que obedecer a qualquer custo, mas seria mais fácil e de melhor aplicação, que nossos líderes musicais se dessem o trabalho de nos dar a luz dos fatos, para que possamos também entender e aceitar nossos erros, acertos, etc. Seria bem melhor e de melhor resultado.

Abraão tinha um relacionamento de total confiança em Deus.

Deus meu, em ti confio; não seja eu envergonhado; não triunfem sobre mim os meus inimigos“. Sl 25:2.

A Confiança é um dos maiores sentimentos dentro de um relacionamento que se possa ganhar. Se você tem algum amigo em que confie, agradeça a Deus, pois você tem um dos maiores tesouros existentes sobre a terra.

(…)

Li esta estória há algum tempo e creio que seja relevante ao assunto:

Conta-se de um alpinista resolveu, depois de muitos anos de preparação, escalar o Aconcágua. Ele queria a glória somente para si. Então resolveu escalar sozinho sem nenhum companheiro, o que não seria natural no caso de uma escalada dessa dificuldade.

Ele começou a subir e foi ficando cada vez mais tarde. Porém ele não havia se preparado para acampar e resolveu seguir a escalada, decidido a atingir o topo.

Escureceu, e a noite caiu como um breu nas alturas da montanha, e não era possível mais enxergar um palmo à frente do nariz, não se via absolutamente nada. Tudo era escuridão, zero de visibilidade, não havia Lua e as estrelas estavam cobertas pelas nuvens.

Subindo por uma “parede”, a apenas 100 metros do topo, ele escorregou e caiu… Caía a uma velocidade vertiginosa, somente conseguia ver as manchas que passavam cada vez mais rápidas na escuridão. Sentia apenas uma terrível sensação de estar sendo sugado pela força da gravidade.

Ele continuava caindo e, nesses angustiantes momentos, passaram por sua mente todos os momentos felizes e tristes que ele já havia vivido em sua vida.

De repente ele sentiu um puxão forte que quase o partiu pela metade… shack!

Como todo alpinista experimentado, havia cravado estacas de segurança com grampos a uma corda comprida que fixou em sua cintura. Nesses momentos de silêncio, suspenso pelos ares na completa escuridão, não sobrou para ele nada além do que gritar:

– Oh, meu Deus! Ajude-me!

De repente uma voz grave e profunda respondeu:

-O que você quer de Mim, meu filho?

– Me salve, meu Deus, por favor!

– Você realmente acredita que Eu possa te salvar?

– Eu tenho certeza, meu Deus.

– Então corte a corda que mantém você pendurado…

Houve um momento de silêncio e reflexão. O alpinista se agarrou mais ainda a corda e pensou que se largasse a corda morreria…

Conta o pessoal de resgate que no dia seguinte encontraram um alpinista congelado, morto, agarrado com as duas mãos a uma corda… a não mais de dois metros do chão.

Autor desconhecido

Não sei quem escreveu esta história, sei que ela mexe comigo, muitas vezes precisamos confiar em Deus e/ou talvez em nossos líderes a ponto de dizer: “NÃO ENTENDO, CREIO QUE A MELHOR SAÍDA SERIA ESTA, MAS VOCÊ ESTA FALANDO PARA EU IR PARA LÁ, ENTÃO EU VOU”.

Na vida de Abraão lemos claramente este fator importante dentro de um relacionamento: “Passou Abrão pela terra até o lugar de Siquém, até o carvalho de Moré. Nesse tempo estavam os cananeus na terra. Apareceu, porém, o Senhor a Abrão, e disse: À tua semente darei esta terra“. Gn 12:6,7.

Dentro de nossos conceitos, seria ilógico Deus querer dar uma terra, que pertencia a um povo, à apenas um homem. Além de ilógico, era impossível.

Demorei muito tempo para compreender, se Deus queria fazer de Abraão uma grande nação, por que não o mandou para uma grande cidade, seria mais lógico, por que Deus o mandou para o deserto, para o meio do nada. E com uma esposa velha.

A resposta é: CONFIANÇA. Deus queria apenas ter de Abraão sua total confiança, nesta nova jornada que um velho homem iria começar.

Temos em nossos ministérios velhas fórmulas, velhos truques, velhos livros que nos ensinam como fazer e tocar velhas canções. Creio com todas as minhas forças que Deus tem trazido ao mundo algo novo.

Não quero destruir o velho, afinal amo as velhas canções, elas sempre falam ao meu coração. A questão aqui é aceitarmos o velho com absoluto, como único, e colocarmos Deus dentro de um contexto de idade. “Tudo que é novo não presta“, é o que dizem inconscientemente aqueles que defendem o antigo com todas suas forças.

Temos que confiar em Deus, para que Ele nos leve ao ponto essencial de nosso ministério: ENTREGA.

Será que vamos ter a confiança necessária para cortar a corda?

Abraão tinha um relacionamento de total entrega para com Deus.

Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará“. Lucas 9:24.

Para mim a parábola do bom samaritano, é um excelente exemplo de relacionamento de Entrega ou sacrifício: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e vendo-o, passou de largo. De igual modo também um levita chegou àquele lugar, viu-o, e passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão; e aproximando-se, atou-lhe a ferida, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele“. Lucas 10:30 a 34

Agora vamos fazer algumas modificações:

Uma loura escultural, modelo, atriz de novela, capa da revista Playboy, descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais a despojaram e espancando-a, se retiraram, deixando-a meio morta. Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e vendo-a, passou de largo. De igual modo também um levita chegou àquele lugar, viu-a, e passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dela e, vendo-a, encheu-se de compaixão; e aproximando-se, atou-lhe a ferida, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-a sobre a sua cavalgadura, levou-a para uma estalagem e cuidou dela. (paráfrase de Bill Hybels)

Agora se responda com toda sinceridade: Qual das duas histórias você se disporia a parar e ajudar?

Por alguma razão, a parábola original espelha melhor a minha realidade e a realidade de muitos de nossos ministérios. Muitas vezes temos a oportunidade de Entregar nossos dons musicais a serviço do reino, mas não o fazemos por que estamos esperando aparecer uma loura escultural em nosso caminho, e a única oportunidade existente é um velho homem todo ferido e sangrando.

Bill Hybels diz: “De acordo com o pensamento generalizado dos nossos dias, o importante não é nossa contribuição para um relacionamento, mas sim o que podemos tirar dele“.

Essa é infelizmente a visão de muitos de nós que estamos envolvidos com o ministério musical de nossas igrejas. Queremos muitas vezes apenas “lucrar”, financeiramente ou não, mas queremos “sair no lucro” como se diz na gíria. Não gostamos de tocar com qualquer instrumento, em qualquer sistema de áudio, em qualquer tratamento acústico ou em qualquer culto (principalmente aqueles que tenham menos gente), temos longas listas de exigências para podermos praticar o nosso ministério. Podemos perguntar para a maioria de nossos músicos, todos têm uma sugestão para a próxima aquisição da igreja, normalmente esta sugestão se refere a seu instrumento.

Creio que tanto o sacerdote como o levita da parábola, tinham excelentes argumentos há nos oferecer caso fossem indagados do porquê de não ajudar o pobre homem.

Talvez o sacerdote tivesse uma importante reunião em seu gabinete, e o Levita precisasse correr, pois o horário do ensaio se aproximava, e ele não podia ser “irresponsável”.

Pena que ambos não puderam ser o exemplo bom da parábola de Cristo, se Jesus colocasse seu nome na parábola, onde ele estaria? Seria o Sacerdote? O Levita? Ou o Samaritano?

E se Jesus colocasse seu nome na paráfrase feita, onde estaria?

ONDE ESTÁ SEU CORAÇÃO?

Precisamos de homens e mulheres com o coração totalmente entregues ao reino e suas aplicações, precisamos de pessoas que amem a ponto de que toda sua vida esteja neste caminho. Pessoas que olhem as aflições dos outros e sofram com elas, que vejam suas lutas e dores e digam: “Estou aqui, pode contar comigo“.

Como nossos ministérios seriam bem melhores e mais úteis se seus membros se preocupassem mais com o bem estar dos outros e menos com o seu próprio bem.

O Pai procura indivíduos cuja mente se volte automaticamente para Ele sempre que não estiver ocupada com atividades conscientes – Isso é fanatismo – Dirá alguém. Não! Isso é amor! Lembra-se de que nos dias que antecederam ao seu casamento sua mente estava sempre fixa em sua noiva ou noivo? E tanto é, que para trabalhar, você tinha de fazer um enorme esforço para se concentrar no serviço. É o que Deus quer de nós. Ele esta procurando pessoas que o amem de forma tão consciente que cada pensamento seu, cada emoção e cada ato de sua vida tenha relação com esse amor“. Judson Cornwall (ênfase minha).

Deus nos ama, a ponto de ENTREGAR seu próprio filho por nós, pecadores e imperfeitos, cheios de egoísmos e rancores, e a única coisa que nos pediu foi que o amássemos acima de todas as coisas, e aos outros como a nós mesmos. Ele já nos amou primeiro, temos apenas que seguir Seus passos.

Pazzz

Jesuino
Projeto Ágape – Vila Mariana/SP