A Santidade de Deus – Gilberto G. Theiss

por: Gilberto G. Theiss

Texto: “Exaltem o Senhor, o nosso DEUS; prostrem-se, voltados para o Seu santo monte, porque o Senhor, o nosso DEUS, é santo” (Sal. 99:9, NVI)


Introdução:

A santidade de Deus é algo completamente inexplicável. Por mais que tentemos expor palavras ou dimensionar pensamentos a respeito, jamais chegaremos a uma compreensão clara do que significa de fato a santidade de Deus. Os próprios anjos, talvez, não sejam capazes de definir com precisão, pois criaturas não podem compreender a dimensão, extensão, largura do caráter dAquele que não tem princípio e nem fim. Conhecer plenamente a santidade de Deus é impossível, assim como é impossível morar no sol. A grandiosidade do ser Divino extrapola qualquer tentativa de explicar ou imaginar. No entanto, a Bíblia fez menção da santidade de Deus em linguagens apropriadas à nossa compreensão, mas, mesmo nestas descrições revelacionais, as informações são um tanto que limitadas. Algumas vezes a santidade é apresentada aos moldes da bondade, amor, misericórdia, enquanto que em outras se apresenta aos moldes de sua onipotência, glória e majestade. O assunto é extenso e talvez ilimitado e cabe a nós, no que nos foi revelado, cavar o mais fundo possível com o objetivo de entender melhor a grandiosidade dAquele que nos trouxe à existência. Deus existe, e a própria existência da vida seja na natureza ou na humanidade é uma prova contundente de sua majestade, grandiosidade, inteligência e santidade.


“Está Escrito”
(Jeremias 7:1-3)

Acredita-se que a história convencional relatada por diversos historiadores no decorrer do tempo, tenham registrado em seu tempo, os acontecimentos e feitos dos homens, nações, tribos, sobre uma interpretação não muito fiel dos fatos. Possivelmente os relatos históricos tenham sido influenciados pela interpretação ou forma de ver o mundo dos historiadores. Isto significa que, sendo verdade, nenhum registro histórico pode ser completamente confiável do ponto de vista interpretativo. Este mesmo problema é atribuído às histórias bíblicas pelos especialistas modernos não cristãos. Acredita-se que as histórias bíblicas provavelmente foram escritas sob a moldura da visão e forma de interpretar os fatos dos próprios profetas e apóstolos. No entanto, embora possa haver algum sentido nesta premissa, temos que levar em consideração que a Bíblia não é um livro meramente histórico, mesmo possuindo muitos relatos históricos. A Bíblia, diferentemente dos demais livros convencionais, é a palavra de Deus, orientada pelo Espírito Santo. A grande marca que diferencia a Bíblia dos demais registros históricos e que pode nos oferecer alguma segurança é que, a inspiração seria capaz de proteger os relatos das preconcepções dos escritores bíblicos. Eles não escreveram por critério profissional, eles escreveram porque Deus os chamou para específica atividade, missão ou função. Eles não eram historiadores, mas profetas guiados, orientados e inspirados pelo Espírito Santo. Não escreveram através de ditado contínuo, receberam as visões, sonhos e orientações, mas escreveram usando nada mais que sua própria linguagem e vocabulário. O “Está Escrito”, ou o “assim diz o Senhor” eram as marcas registradas da inspiração e da proteção do que estava para ser materializado no papel. A marca da autoridade das Escrituras e da confiabilidade da Bíblia é a atuação constante do Espírito Santo e a confirmação através do “Está Escrito”.


Ser separado
(Gênesis 2:3)

Qual a definição de santidade que temos compreendido nos dias atuais? Uma má compreensão de pecado pode nos conduzir a uma falsa compreensão de santidade. Ellen White considera que “Satanás está usando todos os meios para tornar o crime e vícios degradantes populares (…) A mente é educada para familiarizar-se com o pecado. A conduta seguida pelos baixos e vis é mantida diante do povo pelos periódicos do dia, e tudo que pode despertar a paixão é posto diante deles em agitadas histórias” (LA, 406). Isto significa que, o relativismo, o secularismo e o existencialismo tem moldado o mundo a não perceber diferenças importantes que existem no terreno do caráter e da moral. As religiões cristãs ou não cristãs estão sendo engolidas pela má compreensão de pecado sendo conduzidas consequentemente à uma equivocada compreensão da santidade diante de Deus.

A Bíblia apresenta a santidade como separação de alguma coisa. Na criação por parte de Deus tornou o sétimo dia santo, separado dos demais e repleto de significados espirituais que nenhum outro dia sustenta. Quando Moisés se aproximou da sarça ardente (Ex 3), Deus pediu que ele retirasse as sandálias dos pés, pois o lugar era santo. Em Levítico 20:7 o apelo era para que o povo se santificasse. Portanto, como percebido, a compreensão de santidade parece estar diretamente ligada à definição dada por Deus e não pelo homem. Se isto é fato, devemos ter muito cuidado para não impor nossos próprios conceitos sobre santidade. O sábado foi separado por Deus para fins especificamente espirituais e a presença de Deus e seu exemplo de descanso neste dia são o que o tornou especial e santo. Sua presença de maneira especial não foi apenas no ato inaugural, mas permanente em todo o sétimo dia da semana. O lugar onde se encontrava a sarça ardente, também se tornara santo por que Deus estava ali presente. Agora, a santidade que Deus pede de seu povo, além de significar separação das coisas triviais e mundanas, é um apelo para eles buscassem a presença transformadora de Deus em suas vidas. Ser separado vai além do simples ato de separar-se de algo, mas preencher a vida com a vontade, desejos e gostos de Deus em detrimento da nossa. Ser santo significa aprender a amar o que Deus ama e a odiar o que Deus odeia permitindo que Seu caráter seja impresso em nossa vida através da atuação do Espírito Santo. Desta forma estaremos separados para propósitos espirituais e santos.


Arrepender-se no pó e na cinza
(Jó 42:5-6; Daniel 10:5-8)

É muito comum ouvir pessoas dizendo que devemos ser perfeitos exatamente como Cristo é. Embora creia plenamente no processo de santificação, nego completamente a ideia de perfeição absoluta como a de Cristo. Perfeito como Jesus, nem os anjos são. Ninguém pode se igualar à perfeição do próprio Deus. Isto é completamente impossível para as criaturas, mesmo dentre os anjos. A perfeição é progressiva, podemos ser semelhantes a Cristo no caráter mais jamais iguais. Não estou fazendo apologia à imperfeição – claro que não – estou apenas mostrando que criaturas são criaturas, Deus é Deus, e esta ideia de ser exatamente igual a Deus é doutrina que nasceu no seio espírita. Devemos ter nitidamente a compreensão da dimensão do abismo que existe entre nós e a santidade de Deus. O caráter de Cristo está sendo gradativamente impresso em nossa vida, mas, mesmo sendo semelhantes a Deus em seu caráter, ainda assim o abismo entre ambos será largamente real. Mesmo os anjos no céu, se admiram ao contemplar o caráter e perfeição de Deus, e nós não seremos diferentes ao contemplar a dimensão, amplitude e largura do amor e caráter de Deus. Profetas que possuíam um caráter íntegro e que foram puros de coração, ao contemplarem o Senhor em visões, muitos deles caíam por terra absortos, e completamente tomados de admiração. Observe esta forte declaração do servo de Deus: “Acordado, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. E temeu e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a Casa de Deus; e esta é a porta dos Céus.” Gên. 28:10-13, 15-17. Nossa busca pela perfeição deve ser coerente com a vontade que temos de glorificar e honrar o Senhor em nossa vida. Amar a Deus significa desejar possuir em nós o seu caráter, mas, cada vez em que formos transformados à Sua imagem e semelhança, mais nítido será para nós o quanto somos pequenos e indignos diante dEle.


“Afasta-Te de mim!”
(Lucas 5:1-11)

Que experiência tão grandiosa essa a de Pedro. Ao contemplar o milagre de Cristo diante da impossibilidade de pesca daquele dia. Ele conhecia bem a situação, pois era marujo, pescador experiente. Diante do feito de Jesus, ficou maravilhado de tal maneira que, se apercebeu da tamanha incredulidade de seu coração. “Pedro ficou muito feliz com um senso do poder divino de seu Mestre. Sentiu-se envergonhado por sua incredulidade pecaminosa. Ele sabia que estava na presença do Filho de Deus, e se sentia indigno de estar na companhia dEle. Impulsivamente, ele se atirou aos pés de Jesus, dizendo: ‘Senhor, retira-Te de mim, porque sou pecador'” (Reveiw and Herald, 23 de outubro de 1900). Na verdade era tudo que Jesus queria ouvir naquele dia, o reconhecimento da pequenez de Pedro. Sua humilhação e reconhecimento foi exatamente o que o Espírito Santo precisava para atuar em sua vida. Portanto, Pedro reconheceu que era um grande pecador, e para sua felicidade, ali estava diante dele um grande Salvador.

Nossa vida não deve ser pautada por experiências diferentes das de Pedro. Como ele, devemos reconhecer nossa pequenez, e construir em nós o sentimento de completa dependência de Deus. É olhando para o tamanho da bondade, compaixão, amor e justiça de Cristo, que seremos capazes de enxergar o quanto somos indignos e necessitados de um poder que está fora de nós.


Quando demônios falam
(Lucas 4:31-36; Apocalipse 4:8-9)

Interessante este ponto da lição, pois, ao ver os anjos se humilhando diante de Deus reconhecendo sua santidade, quando na verdade poderiam desprezá-la, já que são anjos caídos rebelados. Não deveríamos nos aperceber disto tanto quanto? Se os próprios anjos, embora caídos, são capazes de possuírem temor diante de Deus, porque muitos de nós não possuímos o mesmo?

Saiba que, somente um encontro genuíno com Cristo é que nos tornará capazes de vislumbrar sua real essência e nossa real essência. Todos os profetas, ao contemplarem a glória de Deus, suas vidas jamais foram as mesmas. Às vezes desejamos ver a glória de Deus, mas a pergunta que devemos fazer é, será que estamos aptos e prontos para contemplar? Talvez fosse interessante orarmos sem cessar pedindo a Deus que nos concede-se visão espiritual para compreender Sua santidade e propósitos. Embora sendo pecadores, frágeis e orgulhosos, temos a tendência em agir como se não fôssemos. A vida cristã é séria e deve nos fazer crer o quanto pode nos custar caro sustentar este título diante de um Deus santo de maneira irresponsável. Observe com atenção esta declaração poderosa e reflita bem em sua mensagem: “Quão terrível é professar sermos cristãos enquanto (…) abrigamos um caráter que se adapta aos planos de Satanás” (Manuscritos 10, 1892).


Fonte: http://gilbertotheiss.blogspot.com