A Santidade de Deus – Paul E. Penno Jr.

por: Paul E. Penno Jr.

Como é que a santidade de Deus se relaciona com a mensagem de 1888? Cada ensinamento da Bíblia é visto sob a perspectiva da verdade da purificação do santuário. É a partir do Santo dos Santos, que o nosso Sumo Sacerdote está revelando luz pelo Espírito Santo da verdade. Jesus está purificando representantes de cada grupo de pessoas no mundo, preparando-os para a trasladação em Sua vinda.

A mensagem de Elias é “Cristo, nossa justiça.” Uma igreja indolente, morna é despertada pela mensagem que homenageia e confirma a cruz, revelando o amor de Deus pelos pecadores. A corporação do remanescente recebe a verdade de coração humilde em arrependimento por sua longa negligência pela “mui preciosa mensagem” (Testemunhos para Ministros, pág. 91). A chuva serôdia do Espírito acompanha a mensagem para a Igreja de Laodicéia. Ela se expande a um “alto clamor”. “A Terra foi iluminada com a Sua glória” (Apocalipse 18:1). Muitos escutarão a admoestação, “Sai dela [de Babilônia], povo Meu” (vs. 4).

Nosso Sumo Sacerdote apela a Seu povo a segui-Lo, pela fé, ao santíssimo, antes que eles possam compreender a mensagem que Ele tem para o mundo. Deles será uma experiência, como teve Isaías, o profeta do evangelho.

Foi em tempos de apostasia na igreja que Isaías foi chamado para o ministério profético. O coração do Rei Uzias “exaltou-se … até se corromper” (2º Crôn. 26:16). Ele atreveu-se a usurpar o lugar do sacerdote e oficiar no altar do templo. Raramente o juízo divino foi executado tão rapidamente. Ele foi golpeado com lepra e passou o resto de seus dias em isolamento (vss.18, 19). Ele morreu no ano em que Isaías assumiu a função profética.

A igreja estava em uma condição deplorável. Mas antes de Isaías poder ministrar ele precisou ter a sua própria experiência de conversão. Ele vagueou dentro do templo. E o que ele viu foi uma visão de nosso Salvador no santuário celestial, “alto e sublime” (Isaías 6:1). Foi uma visão do caráter do Senhor, uma apreciação de um coração humilde de Seu glorioso amor abnegado. O clamor “santo, santo, santo” (v. 3) foi uma revelação da cruz. O jovem Isaías foi sobrecarregado com o contraste de uma sensação humilhante de seu próprio egoísmo pecaminoso. Tornou-se o alicerce de sua vida inteira de serviço.

“Ai de mim!” ele chora. “Pois estou perdido” (Isaías 6:5). Um rolo compressor me achatou no pó. Eu tinha pensado que eu poderia dedicar minha vida ao ministério do Senhor, ele diz, agora eu vejo que ?sou um homem de lábios impuros”. Tenho vagueado no “templo” do Senhor e vejo que eu não pertenço a esta Sua casa, meu coração está poluído em contraste com a justiça de Cristo. Assim orou Isaías.

Isaías nunca poderia ter escrito seu capítulo 53 a respeito da cruz de Cristo, a menos que ele tivesse experimentado aquela auto-humilhação no início, no capítulo 6. O Senhor deu a Isaías uma visão cósmica do grande conflito, que incluiu a sua visão íntima da cruz no capítulo 53. “Ai” de quem se atreva a pregar ou ensinar que não tenha tido essa experiência de auto-humilhação. Aquela “glória” e “santo, santo, santo” não foi uma experiência entorpecente, foi um despertar para a consciência plena para o tipo de amor que levou o Senhor da glória a dar-Se ao inferno que foi a segunda morte na Sua cruz. Cada célula da alma de Isaías se emocionou com a santa solenidade de se auto crucificar “com Ele”.

Isaías é chamado de “o profeta do evangelho”, porque o medo não é o seu apelo dominante, muitas vezes ele sobe para o nível do ministério do Novo Concerto. Ele é a revelação do Antigo Testamento de “Cristo, e este crucificado” (1 ª Cor. 2:2). Se a liderança civil de Judá tivesse cooperado com ele, juntos eles poderiam ter evangelizado o mundo antigo. Mas havia “uma crise de liderança”.

Nestes últimos dias, a mensagem a Laodicéia não é dirigida ao povo, mas para a liderança da igreja (“Ao anjo da igreja que está em Laodicéia, escreve …”, Apocalipse 3:14). É uma advertência muito necessária para todos os que servem em qualquer função de liderança na igreja do Senhor ? mesmo aqueles que ensinam as crianças pequenas na Escola Sabatina. Mas com a admoestação, vem a certeza das ricas bênçãos do céu se nós prezarmos a visão como o fez Isaías, se nós simplesmente a amarmos, como ele a amou.

Ellen G. White aplica Isaías 6 especialmente aos adventistas do sétimo dia de hoje: “A visão dada a Isaías [capítulo 6] representa a condição do povo de Deus nos últimos dias. Tem o privilégio de ver, pela fé, a obra que se processa no santuário celestial” (Review and Herald, 22 de dezembro de 1896, escrito na época da mensagem de 1888). O que a visão de Isaías significava para o seu ministério, a nossa visão sobre o ministério de Cristo na Sua obra de encerramento no Santíssimo do Santuário celestial significa para o nosso trabalho pelo mundo de hoje. O que o ministério de Isaías foi para o antigo reino de Judá, a mensagem de 1888, que o Senhor nos enviou “em Sua grande misericórdia” é para esta geração. Isto é porque que “a mui preciosa mensagem” era acima de tudo uma chamada para seguir a Cristo neste especial trabalho final de expiação ? uma compreensão única dos adventistas do sétimo dia. Cristo abriu a porta para o Santíssimo. Somos chamados a segui-Lo ali, pela fé, que é o que nos distingue como adventistas do sétimo dia de ser batistas do sétimo dia.

Há mais de 130 anos atrás, o Senhor, em Sua grande misericórdia, enviou uma mui preciosa mensagem para a liderança da Igreja Adventista do Sétimo dia. Tornou-se conhecida como “a mensagem da justiça de Cristo.” Não foi a “mensagem da santidade de Cristo.” Há uma grande diferença entre “justiça” e “santidade”. A santidade de Deus é Sua pureza moral que não é emprestada nem derivada (Salmo 111:9, I Pedro 1:16). Ela O distingue e O torna separado e, acima de todos os outros deuses (Êxodo 15:11). A santidade de Deus não pode ser tentada (Tiago 1:13).

O Senhor Jesus Cristo foi “santo” em Seu nascimento, Lucas 1:35, mas Ele foi “justo” em Sua morte (cf. Romanos 5:18).. O glorioso “plano de salvação” estende-se entre a “santidade” de Jesus em Seu nascimento e a “justiça” dEle na Sua morte na cruz.

A diferença está escrita claramente em Romanos 8:3, 4, descrevendo o que aconteceu entre Seu santo nascimento e Sua justiça na Sua morte na cruz: “Deus, enviando o Seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e pelo pecado, condenou o pecado na carne: para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”.

Na Sua santidade em Seu nascimento, o Senhor Jesus “tomou” sobre Sua natureza sem pecado (que Ele havia trazido do céu) nossa natureza caída e pecaminosa e “condenou o pecado”, nessa natureza caída e pecaminosa, e assim é como “santidade” foi transformada em “justiça”.

Nenhum anjo “santo” já realizou essa façanha, porque nenhum anjo jamais assumiu “carne pecaminosa” para enfrentar, como devemos fazer e como Cristo “tomou” sobre si mesmo. As abóbadas do céu soaram com o louvor de Jesus Cristo, que realizou aquele ato poderoso, Ele provou que Alguém pode tomar nossa natureza caída e pecaminosa ou carne, viver nela, e ainda “vencer” o pecado, derrotá-lo, condená-lo, naquela mesma natureza caída e pecaminosa (cf. Apocalipse 3:21). Satanás, o grande inimigo do universo de Deus, foi derrotado para sempre!


Paulo Penno Jr. é pastor evangelista da igreja adventista na cidade de Hayward, na Califórnia, EUA