Reverência – Gilson Nery

por: Gilson Nery

“Santo e reverendo é o Seu nome.”

O conceito de “reverendo” (direito a reverência) é exclusivo para Deus, ninguém mais neste planeta ou em qualquer parte do universo tem direito a esta postura. Alguns até vão mais além nesta questão ao aceitarem a designação de reverendíssimo; este conceito de reverendíssimo pressupõe uma reverência extrema bem próxima a veneração ou adoração. Nenhum ser humano ou anjo merece esta designação, ela é exclusiva para a Divindade.

As reações de Isaias

Diante da grandeza, glória e santidade de Deus, nós somos menos do que nada ( Isa. 40:17 ), mas a partir do contexto da encarnação, da Cruz e do Santuário Celestial, o homem purificado pelo sangue de Cristo e escondido no Cordeiro vivo do Santuário Celestial, é considerado por Deus, tão perfeito no caráter e santidade, como o é Jesus Cristo o Filho do Homem. Nesta situação e partindo deste contexto , a nossa reação precisa ser diferente da reação do profeta Isaias; como se considerar perdido diante da grandeza, glória e santidade de Deus, se a nossa grandeza, glória e santidade é a grandeza, glória e santidade da Pessoa do Grande Deus e Salvador Jesus Cristo ??? Será que a grandeza, glória e santidade de Cristo não é suficiente para se apresentar diante da grandeza, glória e santidade de Deus – A resposta só pode ser um sim com todas as letras maiúsculas e garrafais. Por que então uma reação como a de Isaias – O histórico de Isaias 6:1-9 é referente ao início do ministério deste profeta e abrange o tempo anterior à unção e purificação dos seus pecados representados pela cena do serafim tocando-lhe os lábios com a brasa viva do altar; isto significa que Isaias, na época do cap. 6 do seu livro, ainda não estava preparado espiritualmente, quando reagiu como alguém perdido e não purificado pelo sangue do Cordeiro de Deus. Isaias reagiu como um homem perdido e não purificado pelo sangue do Cordeiro, antes do processo de imputação da justiça de Cristo simbolizada pela brasa tirada do altar que tocou os seus lábios purificando-o dos seus pecados. Ver Isa. 6:6-7. Deveria ele ter reagido diferente? Sim e não. Em se tratando excluvivamente da santidade, grandeza, glória, e méritos de Cristo como o seu Substituto, sim; Em se tratando da sua insignificância, impureza, ausência de santidade e justiça própria , sem considerar os méritos de Cristo, não, não teria agido diferente! Em Cristo Deus nos considera puros, perfeitos e santos em nível da perfeição, santidade e pureza de Cristo como Filho de Deus e Filho do homem, embora, na realidade, nós ainda não tenhamos praticado nenhuma obra neste sentido e ainda sejamos pecadores impuros e contaminados. Isto é tão maravilhoso, fantástico e fora de série que sem a ajuda do Espírito Santo é quase impossível crer em uma boa nova tão excelente.Mas não devemos nos esquecer que ao imputar a justiça de Cristo em nós sem obras de espécie alguma, Ele o faz para que possamos praticar as obras correspondentes desta tão grande salvação. A nossa reação perante a glória, santidade e pureza de Deus deveria estar baseada nesta consideração que Deus tem por Seu Filho Jesus Cristo e não reagir ficando a contemplar os nossos trapos de imundície. Note bem que quando Isaias aceitou ser purificado pela brasa viva do altar, ele mudou de atitude. Ver Isa. 6:8. Para que eu não seja mal interpretado, repito que nós sem os méritos, justiça e santidade do Grande Deus e Salvador Jesus Cristo, somos menos do que nada diante da santidade, glória e grandeza de Deus; somos a escória repugnante e asquerosa do universo; mas pela imputação da justiça de Cristo somos a maior e a pura preciosidade deste universo, excetuando-se, naturalmente, as Pessoas da Divindade. Nem mesmo um santo anjo pode ser considerado tão puro e santo como um pecador que mesmo antes de adentrar empiricamente o caminho da santificação, praticando assim as primeiras obras neste sentido, mas apenas crendo nesta maravilha da imputação da justiça de Cristo, está tão puro e santo. Rom. 4:5.

A chuva serôdia pode estar sendo retardada porque continuamos ainda a nos considerar perdidos e não purificados pela brasa viva do altar de incenso do Santuário Celestial esperando praticar alguma obra primeiro para que esta maravilha ocorra em nossa vida, ao invés de aceitar todo este processo sem obras para que possamos praticar estas obras da salvação e sermos santos, perfeitos em Cristo Jesus e recebermos o batismo da plenitude do Espírito Santo.Enquanto continuarmos a olhar para nós mesmos, teremos a decepção de contemplar trapos imundos e dúvidas cruéis, mas quando consideramos a encarnação do Verbo Eterno, a Sua vivencia neste nosso planeta, a Sua morte, ressurreição e a Sua intercessão no Santuário Celestial, reagiremos como o profeta Isaias após a purificação dos seus pecados com a brasa viva do altar, e entraremos pela fé, com ousadia santa no Santo dos Santos, conforme Heb. 10:19-22.

Reverência e a Cruz.

A encarnação, a Cruz e o Santuário Celestial, são os nossos motivos para sermos reverentes. Sem a encarnação do Verbo não teria existido a Cruz; sem a Cruz, não teria existido funções sacerdotais e sumo sacerdotais do Grande e exclusivo e único Sacerdote e Sumo Sacerdote Jesus Cristo e como o centro das operações de resgate; sem o Santuário Celestial não haveria intercessão, mediação e sacerdócio e sem este ministério, seríamos fulminados pela glória, grandeza e santidade de Deus. Assim é que, visto termos todas estas dádivas maravilhosas do plano da redenção, por isso, SOMOS REVERENTES!

O nome do Senhor.

São várias as palavras e denominações pelas quais Deus se identificou à humanidade, portanto, não existe em separado e único, um nome ou designação a qual seja considerado o Seu nome único e Pessoal. Segue aqui alguns exemplos neste sentido :

Exd. 34:14. Neste texto Deus nos informa que o Seu nome é Zeloso.
Em Am. 4:13 e 5:27, está escrito que o nome de Deus é Deus dos exércitos.
Em Zac. 6:12, é nos dito que o nome do Filho de Deus é Renovo.
Em Apc. 19:16 = Rei dos reis.
Em Apc. 19:13 = Palavra de Deus.
Em Isaias 9:6. – Este é o nome : Pai da eternidade; Maravilhoso; Conselheiro; Deus forte; Príncipe da paz.
Senhor é o Seu nome. Am. 9:6;Sl. 68:4.
Seu grande nome. I Sam. 12:22;II Sam. 7:9. Seu grande caráter e não a dimensão do nome Jeová, por exemplo.
Engrandecer o nome. II Sam. 7:26. Não significa escrever o nome Jeová em um grande espaço, mas exaltar o caráter de Deus.
Confiar no nome. Sl. 33:21. Não confiar no nome Jeová mas sim, confiar no caráter de Deus.
Uma casa ao nome. II Sam. 7:13; I Reis 8:43.

A palavra “nome”, portanto, dependendo do caso, pode significar não o nome Pessoal de Deus, mas o Seus caráter,a Sua autoridade, a Sua identidade, o Seu poder, relacionamento com…; Etc. Um bom conceito é também igual a um bom nome. Prv. 22:1. O próprio nome Jeová ( que ninguém mais conhece a pronuúncia do tetragrama original ), está definido em seu significado como sendo o “EU SOU,” que por sua vez está definido como a presença eterna como Alguém que considera o passado, o presente e o futuro, a mesma coisa. Exd. 3:14 e Carta 119, 1895,6 e 8. Citada em Med. Mat. De l965 pág. 12.

Qualquer menção da Divindade, mesmo que não mencionemos nomes que aparentemente sejam nomes próprios e pessoais, como Jeová, Eloim, Adonai, El, Shadai ou El Shadai, etc, estaremos tomando o nome de Deus em nossos lábios. Quando esta menção é feita em conversações comuns e banais, mesmo que não mencionemos a palavra : Deus ou Jeová, e outras mencionadas acima, estaremos tomando o nome de Deus em vão. Pelo contrário, quando mencionamos a Divindade em nossas conversações, cultos de louvor e orações, devidamente e reverentemente em um profundo senso da santidade de Deus, estaremos “invocando” o nome do Senhor em nossas conversações, orações e cultos de louvores.Não devemos nos esquecer que Deus não terá por inocente o que tomar o Seu nome em vão. Esta é uma questão tão séria que esta advertência existe apenas no terceiro mandamento e em nenhum outro mandamento. É de particular importância, neste nosso século irreverente, refletir sobre este fato.

A Bíblia toda nos fala que Deus as vezes, envia maldições e pragas, mas o sentido correto é que Deus não impede maldições que acontecem por causa do pecado ou transgressões das leis de Deus, naturais e morais. A Bíblia diz que a maldição sem causa não virá. Prv. 26:2. Seria imoral e injusto se a humanidade fosse na frente transgredindo e desmantelando tudo e Deus fosse atrás consertando tudo. Assim é que Deus permite que a humanidade que vai na frente desmantelando tudo,colha as conseqüências dos seus desmantelos e, assim sendo, esta humanidade sofrendo as conseqüências, estará mais propensa a buscar o perdão de Deus e ser salva, o que de outra forma seria impossível, cumpre-se assim o provérbio que diz que Deus escreve certo por linhas tortas. Ver Dt. 23:5 e Neem. 13:2.

Reverência a Deus.

Esta reverência deve ser motivada por um profundo senso de respeito e zelo santo para não ofender e causar sofrimento a Alguém que já foi até as últimas conseqüências por nós. O nosso medo não é da Pessoa de Deus, mas de causar-Lhe mais sofrimento do que o que já sofreu, porque O amamos e não suportamos a idéia de sermos causa de mais sofrimentos, pesar e tristezas a Este Deus que nos ama com amor eterno. Precisamos agora aprendermos a reverenciar a Deus devidamente sem medo para que no futuro, em Sua vinda nas nuvens do céus, não venhamos a ter medo Dele. Apc. 6:15-17.

Reverência e obediência.

A reverencia deveria estar incluída em todos os aspectos da nossa vida: No templo e suas dependências, onde adoramos a Deus; durante, antes e depois das reuniões; ali é a casa de Deus porque foi dedicada e consagrada exclusivamente para finalidades espirituais e santas. A reverência neste lugar sagrado durante os serviços sagrados especialmente, inclui o nosso comportamento, os nossos trajes, as nossas palavras e até os nossos pensamentos. “O Senhor está em Seu santo templo, cale-se diante Dele toda a terra.” Hab. 2:20. Veja em TS 2, págs. 193-203. Na página 201 parág. 2 última parte, lemos : “Uma reforma radical a este repeito se faz mister em todas as nossas igrejas. Os próprios ministros precisam ter idéias mais elevadas e revelar maior sensibilidade neste sentido. É um aspecto da obra que tem sido muito negligenciado. Por causa de sua irreverência na atitude, NO TRAJE E COMPORTAMENTO, e sua falta de verdadeiro espírito de devoção, Deus muitas vezes tem afastado Seu rosto dos que se achavam reunidos para o culto.”

“Um altar de terra me farás, e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, e a tuas ofertas pacíficas. Não subirás por degraus ao Meu altar, para que a tua nudez não seja descoberta diante deles.”Exd. 20:24 e 26. Estas palavras foram pronunciadas pelo Próprio Deus por ocasião da entrega dos dez mandamentos no monte Sinai. Em culto de adoração, Deus sempre foi Zeloso no que diz respeito a reverência e a tudo aquilo que poderá desviar os pensamentos dos adoradores para outros níveis. Com este texto citado acima, vemos que Deus proibiu o traje irregular e incompatível com o ambiente de meditação e oração sem reservas. A nudez deveria ser e completamente isolada dos olhos dos adoradores. Em Exd. 28:42 e 43, lemos : “Faze-lhes também calções de linho, para cobrirem a carne nua; serão dos lombos até as coxas, e estarão sobre Arão e sobre os seus filhos, quando entrarem na tenda da congregação, ou quando chegarem ao altar para ministrar no santuário, para que não levem iniquidade e morram; isto será estatuto perpétuo para ele e para a sua semente depois dele.” Ver também Lev.6:10.

Será que Deus mudou tanto a ponto de não exigir mais este comportamento por parte dos Seus adoradores em todos os aspectos da reverência – Ou será que a humanidade já está tão santificada e perfeita que não seja mais afetada pela irreverência da nudez exibida em nossas igrejas ???

Que como os Serafins ( anjos ) junto ao trono em adoração que cobrem e velam os rostos em atitude de reverência, possamos ter uma postura reverente em todos os aspectos motivados por um profundo senso de respeito e da santidade de Deus. Amém!


Por Gilson Nery B. Costa
Espírito Santo do Pinhal – SP