O Primeiro Culto dos Remidos no Céu

por: Mário Jorge Lima

Dando asas à imaginação sobre um sonho tão sonhado

Não é errado sonhar. E nem tentar imaginar aquilo que tanto queremos. Gosto muito de deixar a imaginação fluir e construir um cenário hipotético do que seria o primeiro culto dos remidos na cidade santa. Ainda que possa parecer presunçoso, eu me imagino lá, presente, pela graça, tão somente pela graça de Deus.

Muito provavelmente, é um dia de Sábado. Ao redor do trono, diante do nosso maravilhoso Deus, com vestes brancas, todos nós salvos, os 144.000, a grande multidão de remidos, homens, mulheres e crianças, pessoas de todas as épocas, justificados pela graça, santificados pelo Espírito, glorificados pelo poder do Pai. Estamos circundados pelos exércitos de anjos celestes, em total reverência, com alegria sem fim no coração. Em nosso pobre planeta lá embaixo, o mal ainda não terá sido extinto, estamos iniciando o milênio de glória, mas já estamos livres da presença e dos efeitos do pecado, já sem lembrança de tudo de ruim que passamos.

O coro de anjos, a orquestra maravilhosa, instrumentos jamais vistos, todos a postos, prontos, aguardando o início daquele culto especial. A um sinal de Gabriel, o magnífico arcanjo, maestro maior de todos os coros, erguem-se as vozes celestes e o som da orquestra de anjos.

Perfeição completa, é a música do céu! Finalmente a conhecemos, nós que sobre ela tanto falamos, discutimos e nos desentendemos em nossa velha terra. Como é diferente de tudo que pensávamos! Como era pobre nossa imaginação! Falávamos em tantos padrões, culturas, escolas musicais, gêneros, e a música de Deus agora nos surpreende a todos. Como teria sido tão melhor ter deixado, lá em nosso velho planetinha, o Espírito falar ao nosso coração, sempre, acima de qualquer erudição, acima de qualquer preconceito, acima da estratificação de nossas mentes!

E os músicos celestes nos brindam com um concerto extraordinário de boas vindas aos salvos. São momentos eternos que passam, que não sentimos, que não nos cansam ou incomodam. Criação musical coletiva, todos parecem pensar os mesmos acordes e seqüências, e a música flui espontânea e bela, é mágica, impressiona os corações, alegra a alma dos salvos em Jesus.

De repente, a música muda. Cristo Jesus levanta-se ao lado do Pai, adianta-se. É o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo, o Leão da tribo de Judá, o Príncipe da Paz. Para Ele voltam-se todos os olhares, as mentes e os corações. É para Ele a próxima música do céu. Os acordes são outros, é outra a cadência, os anjos mal conseguem conter a emoção. A letra, de poesia perfeita e maravilhosa repete: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor“. Não dá para descrever o que vai no coração de todos os presentes. Os remidos choram, mas é um choro de alegria e de agradecimento. São mais momentos eternos e inesquecíveis.

E agora, um momento especial: a uma modulação maravilhosa, que o mais experimentado dos músicos terrestres jamais conseguiu sequer imaginar, a orquestra e o coro param. Jesus Cristo vai solar. Sua voz é completamente harmônica, em alguns momentos suave e doce, a voz do Bom Pastor; em outras partes é como o som de muitas águas. Dispensa o acompanhamento. A letra diz, entre outras coisas: “Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo“. A orquestra e o coro de anjos, voltam em contracanto perfeito, respondem e devolvem a Cristo toda a honra, repetindo: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor“. A participação do Salvador, do Rei dos Reis, é perfeita.

Mas ainda há mais emoção nesse culto inenarrável. Todos os remidos que estão prostrados diante do trono, agora se levantam. Sim, nós vamos agora cantar. E não vamos fazer feio. Temos mentes transformadas e corpos glorificados, dons restaurados, alcançamos a perfeição em Cristo Jesus. E sobre o que cantamos? Ah, com toda certeza, cantamos da experiência humana, da experiência pessoal de cada um. Cantamos daquilo que vivemos e passamos. E os outros mundos, habitados por seres superinteligentes e sem pecado, a tudo assistem maravilhados, sendo que jamais poderão cantar como nós cantamos, pois serão incapazes de transmitir musicalmente aquilo que não viveram.

E cantamos o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: “Grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus Todo-Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos séculos“.

E o grande culto, antecedendo a monumental Escola que virá depois, prossegue todo em música, alternando coro e orquestra de anjos, solos maravilhosos, coros de remidos triunfantes. Não existe mais cansaço, não mais tédio, não mais monotonia, o tempo não existe, estamos enfim na eternidade, vivendo dentro do sonho. No final, a bênção do Pai, o Deus dos Exércitos, o Criador de todos os mundos, que sobre nós levanta o Seu rosto, e nos dá a paz, a Sua paz, que excede a todo o entendimento.

Em seguida o início do nosso aprendizado na grande Escola dos céus. Quantas perguntas, quanta curiosidade, quanta sede de saber e conhecimento. Deus, Cristo Jesus, o Espírito Santo e os anjos, são nossos Mestres nessa Escola eterna. Ali, sábado após sábado, ouviremos de Suas bocas santas e sábias, tudo que não entendíamos, e com mente clara agora compreendemos perfeitamente, sem sofismas, sem enganos, sem dúvidas.

Depois, a ceia dos remidos, com os frutos da árvore da vida, ao lado do rio da água da vida, tudo encimado por um céu de azul perfeito. Alimento sadio que nos garante a vida eterna, sem doenças, sem dores, sem sofrimento, sem pecado.

Amigos, quando aqui cantamos o que vivemos, o canto sai livre, verdadeiro, consistente, autêntico e transmite um prenúncio da atmosfera do céu. Quando aqui estudamos e nos alimentamos da Palavra de Deus, estamos nos aprimorando no conhecimento de um Deus maravilhoso e um Salvador justificador. Deus queira, e Ele com certeza quer, que cada ser humano se arrependa e se salve. O fogo eterno não foi preparado para nós, mas para o diabo e seus anjos. Aquele culto maravilhoso, de cuja liturgia aqui consegui apenas arranhar um pouquinho a superfície, nos espera. Não podemos faltar, não podemos chegar atrasados! Deus nos abençoe, e mesmo em meio a nossas idiossincrasias e desencontros, nos conserve em união de propósitos e em amor fraterno, sem o que, não estaremos lá naquele dia. Sejam felizes.