A Celebração Como Culto de Adoração

por: Ron Thompson

Sem que tenha solicitado, me têm chegado cartas e comunicações de ministros e membros de nossas igrejas no Texas, Califórnia, Colorado, Kansas e Ohio, expressando alarme e preocupação com respeito à entrada do estilo de adoração tipo “celebração”, que está penetrando nos portais da Igreja Adventista. As representações teatrais, a música e a pregação que está sendo usada na “celebração”, constituem os temas de preocupação. Explorei estes temas usando muitas de minhas observações pessoais, já que tenho assistido às maiores igrejas de estilo “celebração” em dois diferentes estados. Eu passei uma ou duas noites sem dormir e tenho orado e estudado consideravelmente sobre este assunto.

A Origem e o Desenvolvimento da Celebração

Em Novembro de 1990, entrei em uma igreja no momento em que se iniciava o culto, com um líder dirigindo o serviço de canto usando cânticos de louvor projetados em uma tela. Os cânticos foram entoados com o acompanhamento de um conjunto de música pop e complementado com tambores – não havia órgão à vista. A congregação, na qual muitos estavam vestidos de modo muito informal, não era descuidada em sua forma de cantar, pois cantavam com grande entusiasmo, batendo palmas ritmicamente, seguindo o compasso e marcando o ritmo com os pés aqui e ali. A medida que o ritmo se acelerava, aumentava a excitação e as frases dos cânticos eram repetidas, de maneira que o espírito das pessoas era excitado. Então os adoradores levantavam os braços e os moviam suavemente em êxtase. Uma canção de louvor após outra foi entoada, enquanto o diretor de canto animava as pessoas a bater palmas e a levantar os braços. E se a congregação não respondia entusiasticamente, os cânticos de louvor selecionados sugeriam uma reação, como por exemplo: “Cantai alegres a Jeová… Levantai a voz e aplaudi”, ou “A Ti, ó Senhor, elevo minhas mãos”. Era como uma sessão de ginástica aeróbica, com música e cânticos contínuos, mesclados com “exercícios espirituais” de aplaudir, bater palmas e levantar as mãos. Isto continuou por quase uma hora, com números especiais intercalados e interrompendo-se freqüentemente para orar, fazer anúncios e recolher a oferta. A seguinte meia hora foi dedicada ao sermão.

Você espera a identificação do culto de adoração descrito? O letreiro chamativo à frente da igreja dizia: “Templo de Louvor – Culto de adoração dominical: às 10h30min da manhã”. Não pude identificar a igreja até depois do culto, quando perguntei a um membro no vestíbulo. Ela me disse que era uma igreja da Assembléia de Deus. De modo que o verdadeiro nome da igreja estava oculto atrás do nome “Templo de Adoração”. “Oh!”, disse, “mas o dom de línguas não foi manifestado”. Ela respondeu imediatamente: “Nós possuímos o dom de línguas, mas pode ser que hoje não tenha sido manifestado”.

De certo modo lamentei o haver assistido no “Templo de Adoração” da Assembléia de Deus em Burleson, Texas, porque se confirmou o temor que tinha de que o culto adventista de celebração, que havia presenciado em Agosto, era uma cópia deste culto de louvor. Não queria enfrentar esta realidade. Não podia imaginar que a Igreja Adventista do Sétimo Dia tivesse adotado uma forma carismática de adoração. Mas em sua totalidade, o culto adventista de celebração que presenciei em Agosto em outro estado, se estendeu por quase uma hora com cânticos de louvor dirigidos por diretores de canto, interrompido freqüentemente por números musicais especiais, dedicação de crianças, uma apresentação teatral, oração, anúncios e, seguido logo, por um sermão de meia hora. Creio que foi mais que uma coincidência que os diversos cânticos de louvor foram cantados onze vezes a partir da tela do “Templo de Adoração” da igreja Assembléia de Deus, do mesmo modo que no culto de celebração da igreja adventista que visitei. Assim como o dom de línguas não se manifestou durante o culto de louvor com muitos “exercícios espirituais” que presenciei no mês de novembro na igreja Assembléia de Deus, assim também não de manifestou esse dom durante o culto de louvor com poucos “exercícios espirituais” que presenciei no mês de Agosto na Igreja Adventista do Sétimo Dia; e, por algum tempo; mas, quem sabe quando se manifestará?

O que acabamos de descrever define o estilo de adoração chamado “celebração”, o qual tem sido adotado por algumas igrejas adventistas em vários graus e intensidades. Até o dia de hoje, não há padrão definido. A origem do culto ao estilo "celebração", o qual está batendo à porta da Igreja Adventista anglo-americana, não foi estabelecida por acidente, preferência ou cultura, mas sim pela igreja carismática. Também é significativo que as maiores e mais antigas igrejas adventistas da celebração conduzem seus cultos, sem temores nem suspeitas, em templos alugados de igrejas carismáticas, um dos quais é o templo da Assembléia de Deus. Isto é algo que não nos atrevemos a considerar no passado.

Se desconhecemos a origem da adoração estilo celebração, sem dúvida alguma o mundo cristão conhece sua origem, como o demonstra a revista norte-americana “Christianity Today” no artigo intitulado “A Verdade Recente Acerca dos Adventistas do Sétimo Dia”.

“E agora a Terceira Onda (referindo-se aos liberais) está golpeando as orlas do adventismo: Um missionário adventista informa que pelo menos seis congregações adventistas têm adotado o estilo de adoração e a teologia da ‘Vineyard Fellowship’ (Congregação Vinhedo) de John Wimber. Isto é muito notável em uma igreja que tem resistido resolutamente ao reavivamento carismático. Porém isto demonstra a adaptabilidade do adventismo.” (1)

Tudo isto vem através da (igreja) “New Hope Community Church”, com capacidade para três mil pessoas, alugada pela “New Life Celebration Church” (Igreja Celebração da Nova Vida) dos adventistas do sétimo dia.

O livro “20/20 Vision”, escrito por Dale E. Galloway, pastor da “New Hope Community Church”, está sendo vendido rapidamente na livraria de uma de nossas associações. O termo “celebração” impregna o livro, que inclui uma seção intitulada: “Faça uma celebração de cada culto de adoração.”

Uma celebração de quê? O livro “20/20 Vision” explica: “Na igreja primitiva, todos se reuniam semanalmente para uma gigantesca celebração no dia da ressurreição. E durante a semana, se reuniam de casa em casa em pequenos grupos.” (2)

A “New Hope Community Church” se reúne “aos domingos para celebrar o poder da ressurreição de Jesus” (3). Certamente tenho a esperança de que esta forma de celebração não se infiltre na Igreja Adventista para conduzir cultos de celebração de comunhão no domingo, porém, em certo lugar, isto já tem ocorrido.

O livro de Dale Galloway, “20/20 Vision”, explica como ter um “Jardim de Oração” (ideia que foi adotada pelo estilo celebração) onde as pessoas se reúnem diante do ministro para orar e os anciãos colocam suas mãos sobre os ombros deles (4) – justamente a postura que se adota para recepção do falso espírito pentecostal pela “imposição das mãos”.

É tanto o que os adventistas têm adotado da “New Hope Community Church”, e de Dale Galloway e seu livro, que tem motivado a produção das seguintes publicações adventistas: “Home of Hope” (Lar de Esperança, guia de estudos bíblicos); “From Cell to Celebration” (Da Célula à Celebração), um guia para os líderes de um Ministério Dinâmico de grupos pequenos; “Trinity Power Circle, Mega-Ministry” (Círculo do Poder Trinitário, Mega-Ministério). O último guia mencionado, “Círculo do Poder Trinitário”, até adotou e exibiu em sua capa o símbolo internacional mais recente do movimento carismático pentecostal do dom de línguas – a representação de uma pomba com um ramo de oliveira no bico. E com o propósito de promover este livro em todas as igrejas adventistas, este guia leva na contra-capa a inscrição: “Conselho Ministerial Mundial da Associação Geral, Indianápolis, 1990, Seminário Nº GCM7274”. Assim, por meio deste guia e seminário, os pastores da América do Norte e do campo mundial foram doutrinados na forma de conduzir “cultos de celebração cheios de Espírito”.

Apresso-me a compartilhar uma citação do panfleto “Proposal for a Joint Worldwide Movement” (Proposta para um Movimento Mundial Unido), um audacioso empreendimento de três comunidades (ortodoxos, católicos-romanos e protestantes) e organizações para-eclesiásticas para alcançar o mundo para Cristo Jesus, por Robert Meyers, 1989. Este apóia que “louvemos a Deus a través do cântico com música animada (salmos, hinos e música contemporânea), usando guitarras e outros instrumentos, muita variedade e participação leiga”. Esta obra continua dizendo:

“Nossos cultos de adoração devem ser mais animados. Deveríamos mostrar o entusiasmo que se vê nas pessoas quando vão a eventos esportivos ou concertos. Não há outra pessoa além de Jesus por quem deveríamos emocionar-nos tanto. Deveríamos aplaudir, sapatear, levantar nossas mão se darmos abraços santos uns nos outros… E porque não alguma representação teatral?… Que haja muita variedade.”

Seguramente, pode-se discernir que as raízes do estilo celebração não são somente carismáticas; sem dúvida alguma, a “One World Church” (Uma Igreja Mundial) tem sido formada pelo movimento carismático. O Espírito de Profecia nos adverte: “Há um desejo de copiar outras igrejas e a simplicidade e a humildade são quase desconhecidas.” (5)

Peças Teatrais tem sido freqüentemente usado pela Organização para que os jovens se sintam apreciados como os atores do mundo e mantenham-se ao mesmo tempo “ocupados na igreja.”

A Celebração no Contexto da Adoração

Havendo comentado da origem, curso e desenvolvimento da adoração estilo celebração, agora exporei suas ramificações em relação à teologia da adoração em dia de sábado. Celebração pode significar “guardar”, porém, em seu contexto presente, tem uma conotação secular e por isso é que tem elementos seculares como o uso de globos e outros símbolos. Sem dúvida, globos têm adornado a entrada de uma igreja adventista estilo celebração.

O termo celebração não tem fundamento bíblico na teologia da adoração. Há um versículo na Bíblia em que uma palavra é traduzida por “celebrar” (na versão inglesa “King James”) relacionada à festa de adoração: “… de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado” – no contexto do Dia da Expiação (Levítico 23:32). A palavra hebraica traduzida por “celebrar” é “shabath”, a mesma palavra hebraica que se traduz por sábado em outros lugares. Em outras palavras, uma tradução literal livre seria: “…de uma tarde a outra tarde, sabatizareis o vosso sábado”.

Os defensores do culto de celebração citam o conceito evidente de celebração na criação do mundo (veja-se Jó 38:4-7), ou na canção triunfal depois da travessia do Mar Vermelho (veja-se Êxodo 15), porém estas ocasiões foram situações únicas, a maioria das quais não entrou na adoração sabática semanal. Tais eventos de celebração não são pretexto para a adoração sabática.

A ênfase das Escrituras é a adoração de Deus, o dar glória e adoração ao Cordeiro de Deus. Apocalipse 14:7; 5:12-14. A ênfase do culto de celebração é que seus membros “celebrem seu gozo no Senhor”. Tal método de adoração é representado na parábola do fariseu, que orava e dava graças a Deus e celebrava sua auto-estima. Ter alta estima de si mesmo lhe proporcionava uma sensação de bem-estar. Por outro lado, o publicano que, justificado por sua maneira de orar e adorar, compreendeu a santidade de Deus e sua própria pecaminosidade, disse: “Deus, sê propício a mim, pecador”. Lucas 18:10-14. Dessa forma, Deus chegou a ser o centro de sua adoração. “Deus foi redescoberto” e o resultado foi um “homem renovado”. A prova da verdadeira adoração é evidente no arrependimento, na conversão e na profunda convicção de nossa indignidade, em lugar de bem-estar próprio.

Na tentativa de demonstrar nossa boa disposição à comunidade em um enfoque mais popular a atrativo por meio do uso da palavra celebração, escrita de forma proeminente em letreiros públicos, o nome Adventista do Sétimo Dia é rebaixado e inapreciado. Nossa mensagem ao mundo não é celebração – qualquer que seja a insinuação deste termo nebuloso. O Espírito de Profecia nos aconselha: “Não se deve encobrir de modo algum nossa fé a fim de obter patrocínio” (6).

O nome Adventista do Sétimo Dia é uma repreensão permanente para o mundo protestante… O nome Adventista do Sétimo Dia apresenta as verdadeiras colunas da nossa fé e convencerá a mente inquisidora.” (7)

A Celebração Incorpora “Exercícios Espirituais”

Os adoradores do estilo celebração recorrem aos Salmos para defender seus “exercícios espirituais”: “Aclamai a Deus com alegria, toda a Terra”. Salmos 66:1. Os seguidores do movimento celebração, como os carismáticos, estão inclinados a um “literalismo extremo” na interpretação das Escrituras; chegam tão longe que dizem que este versículo significa realmente produzir um ruído forte, ou melhor ainda, alguns até podem gritar durante o culto, porque “os filhos de Deus gritavam de alegria”. Jó 38:7 (versão inglesa “King James”).

Porém semelhante interpretação não é fidedigna, já que nos salmos e escritos poéticos, nos defrontamos com a poesia hebraica. Embora estejamos familiarizados com a poesia no que respeita à rima de palavras, a poesia hebraica compreende a rima de pensamentos ou frases. Deste modo, um pensamento expresso seria paralelo a um segundo pensamento. Este “paralelismo hebraico” é ilustrado no salmo que foi citado, onde o versículo um – “Aclamai a Deus com alegria” – é paralelo ao versículo dois – “Cantai à glória de Seu nome”. Do mesmo modo, em Jó 38:7, a frase “os filhos de Deus gritavam de alegria” é paralela com “as estrelas da alva louvavam”. Assim o “fazer um ruído gozoso” ou “gritar de alegria” simplesmente significa cantar e nada mais.

O mesmo princípio de interpretação da poesia hebraica deveria ser aplicado ao salmo que é cantado e interpretado literalmente: “Povos todos, batei palmas”. Salmo 47:1. Entretanto, esta é a única citação bíblica referindo-se a pessoas aplaudindo e à qual se aferram tenazmente os partidários do movimento celebração; a citação não especifica que se possa aplaudir durante um culto de adoração. Tão pouco especifica o bater palmas ou o aplauso. Então o que é que este versículo realmente especifica?

Notem: “Povos todos, batei palmas” tem seu paralelo com “aclamai a Deus com voz de júbilo”. Salmo 47:1. Já que “gritando a Deus” ou “ruído gozoso” é simplesmente cantar, igualmente “bater palmas” é uma figura de linguagem – uma “expressão idiomática de gozo” que o salmista teve que escolher para que rimasse com a outra “expressão de gozo” durante o canto.

A propósito, o bater palmas durante o culto de adoração muda o teor da música e do canto e passa a ser entretenimento. Nem os músicos nem os vocalistas necessitam ser aplaudidos, já que não atuam para os homens, senão para Deus, cantando “a glória de Seu nome”, fazendo “gloriosa Sua adoração” (Salmo 66.2), e não para a glória do homem. A verdadeira forma em sinal de aprovação é simplesmente: “E respondeu toda a congregação: Amém! E louvavam a Jeová” ou disseram: “Aleluia”. Neemias 5:13. Veja-se também Apocalipse 19:4. Aqueles que levantam as mãos e os braços em adoração citem e cantam o Salmo 134:2 para apoiar este “exercício espiritual”: “Erguei vossas mãos ao santuário e bendizei a Jeová.” Porém este versículo pode ser traduzido: “levantai vossas mãos em santidade”. E isto pode simplesmente significar a atitude e postura de oração, como no Salmo 63:4, que diz: “Em Teu nome erguerei minhas mãos”, seguido do versículo seis: “Quando me lembrar de Ti em meu leito” – supostamente em oração.

Ademais, a expressão “erguer as mãos” pode não ser toda literal, assim como não são: “Levantarei as minhas mãos para os Teus mandamentos” (Salmo 119:48); ou “levantemos nossos corações com as mãos a Deus nos céus”. Lamentações 3:41. De modo que a expressão “erguer as mãos” é mais o desejo de “alcançar” a Deus. Do mesmo modo que o lema da Companhia Telefónica, “estenda suas mãos e alcance a alguém”, não tem um significado literal, senão que é uma expressão de comunicação.

Young Bakker, cujo pai é o prisioneiro evangelista Jim Bakker, veio a sua casa e disse a sua mãe, Tammy Bakker, que ela não creria no que lhe havia acontecido. Ele disse: “Mamãe, levantei minhas mãos na igreja pela primeira vez em minha vida. Chorei por cinco dias seguidos, falei em um idioma que não podia entender. Mamãe, não podia parar” (8).

Ellen White trata com profundidade do fanatismo e extremismo de uma ou outra classe em “Mensagens Escolhidas”. Algumas de suas citações são as seguintes:

“Alguns dançavam para cima e para baixo, cantando: ‘Glória, glória, glória, glória, glória, glória’. Por vezes eu ficava sentada quieta até que terminassem, e então me erguia e dizia: ‘Esta não é a maneira por que o Senhor opera. Ele não causa impressões assim. Precisamos dirigir a mente do povo à Palavra como o fundamento de nossa fé.’” “Toda manifestação de fanatismo desvia a mente da evidência da verdade – a própria Palavra.” (9)

A Celebração no Drama e na Música

Enquanto que o Templo de Louvor da Assembléia de Deus que eu visitei destinava as representações teatrais inteiramente a um culto de adoração especial de vez em quando, a Igreja Adventista da celebração na qual assisti, as incorporou ao culto de adoração.

Além do mais, na variedade está o sabor ou prazer da vida! A representação dramática foi bem executada em uma plataforma de três níveis; as luzes foram apagadas, porém os refletores seguiam os atores e a narração reforçada com a música criou um efeito dramático. Contudo, o drama tem seu lugar no teatro e serve de entretenimento. Portanto, uma representação teatral não tem seu lugar na teologia de adoração em dia de sábado.

As igrejas Assembléia de Deus se reuniram recentemente em um congresso nacional e chegaram à seguinte resolução: “a Igreja de Jesus Cristo está sendo atacada por Satanás especialmente através dos meios de entretenimento e tem sido induzida a imitar o mundo em suas formas degradadas de arte.” A resolução visa enfatizar especialmente a necessidade de abandonar a música rock “cristã”. A Igreja Adventista do Sétimo Dia necessita aprovar uma resolução semelhante e excluir grande parte da música religiosa contemporânea e muita música de louvor.

A música de louvor tem sido introduzida pelo estilo celebração. Conquanto as palavras sejam sagradas, grande parte do acompanhamento musical é secular e sensual, o tipo de música que faz com que as mãos entrem em um aplauso rítmico com os instrumentos de percussão e que estimula o corpo à dança. Mas, detenhamo-nos para pensar: não queremos dançar na igreja!

Grande parte da música de louvor tem uma progressão de compasso, ritmo e tom, com repetição contínua, com o fim de estimular o ânimo e criar um estado de êxtase.

O problema, hoje em dia, é que a igreja não faz “diferença entre o santo e o profano” (Ezequiel 22:26) com referência à música. Nadabe e Abiú, raciocinaram que “fogo é fogo” e não fizeram diferença entre o fogo santo e o fogo estranho quando oficiavam diante de Deus. Oxalá que nós não cometamos o mesmo erro e pensemos que “música é música” quando louvamos ao Senhor. Há uma clara diferença entre a música sacra e a música secular; que não haja confusão entre as duas, para nosso próprio bem. Não ofereçamos “fogo estranho diante de Jeová”. Levítico 10:1.

A Solução do Problema da Adoração

Estilo Celebração

  1. Substituamos a celebração pela adoração (em todos os seus aspectos).
  2. Separemos o secular do sagrado no que respeita à música de louvor. Selecionemos música de louvor sem ênfase no ritmo sincopado, percussão dominante, progressão paulatina do compasso, do ritmo e do volume, repetição contínua e música de dança. Em um esforço sincero para realçar a música na igreja podemos combinar uma variedade de instrumentos tocados habilmente para complementar o piano e o órgão. Contudo, não deixemos o órgão completamente de lado. A música também pode ser realçada, em grande medida, por um bom coro. Evitemos o estilo celebração e as aparências pentecostais de seus “exercícios espirituais”.
  3. Moderemos a ênfase de celebração na música e a excitação. Demasiada música nos conduzirá a uma igreja baseada na música e nos apartará da igreja protestante baseada no púlpito.

Se consideramos o culto de adoração monótono e sem brilho, não cheguemos ao extremo oposto enchendo a experiência de adoração com jovialidade e excitação, por supormos que isto atrairá aqueles que buscam “a intoxicação produzida pela excitação”. (10)

Já que o estilo do culto celebração no louvor tem atrativo para a juventude, que se encontra na idade de busca do prazer, do entretenimento e da excitação, estejamos seguros de que lhes damos o que “necessitam”. Eles necessitam de “fome e sede de justiça” – eles necessitam de “buscar primeiramente o reino de Deus” – eles necessitam de Jesus Cristo, Filho de Deus, e não de Jesus Cristo Superstar.

Falando acerca de desejos e necessidades, não misturemos nossas metáforas e confundamos necessidades com desejos. As pessoas vão às igrejas adventistas da celebração porque elas satisfazem sua necessidade de aceitação e amor, já que a pregação tende a enfatizar “o amor, a aceitação e o perdão”. As pessoas vão a uma igreja que não se preocupa com as normas porque esta preenche sua necessidade de felicidade. Esse tipo de igreja agrada às pessoas. A revista Newsweek publicou um artigo acerca das tendências cristãs de hoje, onde menciona que as pessoas se agradam desse tipo de igreja porque “elas aceitam as pessoas tais como são, sem nenhuma classe de regras nem restrições” (11). As pessoas não gostam de assistir à igreja porque esta lhes recorda seus pecados; por essa razão, o pregador tende a dizer “coisas agradáveis”. Isaías 30:10.

O Espírito de Profecia adverte:

“A grande maioria dos homens e mulheres que professam conhecer a verdade preferem receber mensagens delicadas. Não querem que ponham diante deles seus pecados e defeitos. Preferem os pastores acomodados que não convençam ao apresentar a verdade. Preferem também os que adulam e, por sua vez, eles louvam o pastor por manifestar tão ‘bom’ espírito enquanto atacam ao fiel servo de Deus… Muitos exaltam ao ministro que fala da graça, do amor e da misericórdia de Jesus Cristo, que não põe ênfase nos deveres e nas obrigações.” (12)

O grito de guerra hoje é que a igreja preencha as necessidades do povo. Portanto, um grupo conhecido como o Movimento de Crescimento da Igreja, dirigido por Lyle Schaler e seus colaboradores, advoga uma “Mega Church” (Mega ou Super-Igreja) assemelhando-a a um centro comercial suburbano, onde o cliente cristão é o rei, um complexo eclesiástico oferece uma variedade de grupos de apoio e afinidade, classes e seminários sobre toda coisa debaixo do sol para satisfazer às necessidades reais ou imaginárias de intimidade, conhecimento, etc., das pessoas. Tal igreja satisfaz todas as necessidades: sociais, mentais, físicas e espirituais.

O Mega ou Super-ministério está penetrando nas igrejas e a Igreja Adventista da celebração corre junto. O livro guia Trinity Power Circle (Círculo do Poder Trinitário) para as igrejas adventistas da celebração leva o sub-título Mega-ministério. Um ministério tão abarcante soa grandioso, porém uma grande quantidade de energia se gasta em manter as rodas girando. Poderia este chegar a ser somente um ministério externo ou superficial, que exclua a essência do verdadeiro ministério – uma igreja baseada no púlpito?

Comentando acerca do “Mega-ministério” o artigo da revista Newsweek disse:

“Diferentemente dos movimentos religiosos do passado, a meta desta vez (com exceção dos conversos tradicionais de todas as crenças) é oferecer apoio não salvação, ajuda em lugar de santidade e um círculo de indivíduos no mesmo nível espiritual, em lugar de uma igreja ou guia autoritário. O mais importante deste programa é manter uma camaradagem social; por este motivo, as igrejas que menos exigem são as mais populares.” (13)

Ainda que “há bálsamos em Gileade” (veja-se Jeremias 8:22) “para sarar aos quebrantados de coração”, este ministério de educação, incluindo os ministérios que satisfazem necessidades, devem ser moderados até certo grau e não suplantar em importância a “libertação dos cativos” (Lucas 4:18), a qual é a salvação do pecador. Em lugar de “erguer as mãos santas” como a canção de louvor sugere, digamos: “Levantarei as minhas mãos para os teus mandamentos”. Salmo 119:48. Oxalá que nos regozijemos e celebremos dizendo: “Deleito-me em fazer a Tua vontade, ó Deus meu; sim, a Tua lei está dentro do meu coração”. Salmo 40:8. Que nossa oração seja: “… não se faça a minha vontade (ou meus desejos), mas a Tua”. Lucas 22:42. Revista Nosso Firme Fundamento Volume 1 Número 1


Notas:

(1) Christianity Today, 5 de Fevereiro de 1990, págs. 19-20 (voltar)

(2) Dale E. Galloway, 20/20 Vision (Scott Publishing, 1990), pág. 38 (voltar)

(3) Idem, pág. 126 (voltar)

(4) Idem, pág. 103 (voltar)

(5) Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 18 (voltar)

(6) Testemunhos Seletos, vol. 6, pág. 422 (voltar)

(7) Idem, vol. 1, págs. 80-81 (voltar)

(8) Fort Worth Star-Telegram, 5 de Setembro de 1990 (voltar)

(9) Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 42 (voltar)

(10) Idem, vol. 2, pág. 21 (voltar)

(11) Newsweek, 17 de Dezembro de 1990, pág. 54 (voltar)

(12) Cada Dia com Dios, pág. 55 (voltar)

(13) Newsweek, 17 de Dezembro de 1990, pág. 56 (voltar)


Fonte: Publicado originalmente em http://www.adventista-aconselho.com/a_celebracao_como_servico_de_ado.htm.