Base Bíblica do Culto

por: Igreja Presbiteriana Central do Gama – 2003

O Culto Conforme Isaías 6:1-8

A complementação da revelação sobre culto, no Velho Testamento, encontra-se na visão de Isaías (Isaías 6:1-8). Aqui nos defrontamos com um completo esquema litúrgico, e não é exagero afirmar que, depois das instruções levíticas do Pentateuco, Isaías 6 talvez seja o mais importante texto sobre adoração das Escrituras hebraicas. Observemos o seu conteúdo:

  • Visão da Majestade Divina (Isaías 6:1-4). A verdadeira adoração envolve essa percepção da transcendência de Deus. Sua glória e seus atributos são exaltados. É o aspecto contemplativo do culto, em que nossa mente e coração são conduzidos pela leitura da Palavra, cânticos e orações a uma visualização espiritual da pessoa de nosso Criador, Redentor e Juiz. Trata-se sempre de uma experiência de santo deslumbramento diante da beleza e perfeição do Senhor. Reuniões “cristãs” que não produzem esse senso de contato com o Grande e Soberano Deus podem ser chamadas por vários nomes, menos de “cultos”. Cultuar envolve sempre calar-se quebrantado diante daquele que nos elegeu e salvou, de forma incompreensível.
  • Visão de nossa própria finitude e pecaminosidade (Isaías 6:5). Cultuar implica em reconhecer o quanto somos pequenos e impuros, carentes do Deus Santo. A Igreja Antiga denomina esse momento do culto de Sanctus. É quando nos dobramos em lamentação porque somos pecadores, porque somos inerentemente poluídos com a corrupção, e entristecemos diariamente ao Espírito Santo que habita em nós. É então que gememos suplicando por misericórdia, anelando pelo dia de nossa redenção, quando seremos plenamente libertos do pecado.
  • Confissão e recebimento de perdão (Isaías 6:6-7). No culto Deus age em nosso favor, e ministra a nós conforme a nossa necessidade. Sempre recebemos algo de Deus, ao nos prostrarmos diante dele em adoração autêntica. Assim sendo, apesar de enfatizarmos o culto teocêntrico, temos de reconhecer que as necessidade humanas são atendidas, dentro do princípio do Salmos 37:4 e Mt 6:33: buscando primeiro a Deus, somos abençoados naquilo que precisamos, segundo a sua soberania.
  • Consagração (Isaías 6:8). Quem cultua de verdade, está disposto a ouvir o chamado divino, dispondo-se para obedecê-lo com amor e alegria.

Fonte: Originalmente, este artigo estava publicado em http://www.ipcg.org.br/cursos/culto_01.13.htm, porém infelizmente, este endereço não é mais válido